Em momentos fazia da existência algo cálido, comeria na mesa da famíla, cavaquearia com um conviva. Esses momentos de regozijos fugaz tornava-o um ser deprimente, não gostaria de sair na rua e olhar as pessoas; trancar-se-a na madorra fria e pela eternidade clamarão pela sua vida frívola.
*Justino intercalava momentos de dor com sua alegria do dia-a-dia.
segunda-feira, maio 28, 2007
sexta-feira, maio 25, 2007
Do lixo ao indivíduo.
O meio de acabar com a supremacia da Salustina era roubar àquele lixeiro e retê-lo no meu abrigo. A velha há anos que morria e vivia, decrépita e sem família não necesssitaria de uma lixeiro para seus últimos dias.
Eu -mancebo- vivendo nos tempos aúreos de um homem, precisava jogar fora todo um conjunto de lixos e utensílios supérfluos . Minha casa já tornara-se um verdadeiro monturo, pilhas de lixo na varanda, outras na cozinha; apenas deixei a salvo minha escrivania, onde passo a maior parte do meu tempo e o único lugar que não cheira a sarro.
Nunca tive ímpetos de um celerado, porém, precisava daquele lixeiro e a vida de dona Salutina expirava em sua pele engelhada. Tracei em uma folha planos para um homícidio sereno, já tinha assistido muitos filmes e estava na metade do Chefão, com tudo isso possuia um vasto conhecimento de assassinatos, sem ter cometido ao menos um furto. Urgia que convencesse os vizinhos sobre o lixeiro, seria o último desejo da dona Salustina, seria espólio dela para seu dileto vizinho.
***
Em uma noite quando a lua quase tocava meus pés com sua calda alva, escolhi para ser a derradeira da Salustina. Cogitei em uma hora, não poderia ser cedo, muito menos tarde; acertei o relógio para às duas horas da manhã, quem estaria acordado às duas horas? Eu estaria, mas dona Salustina com o fôlego débil e àquele reumatismo cujo não mexia-se da posição em que se deitava. Talvez até morta estaria, minha incumbência era só esperar o alvorecer e avisar os vizinhos.
Chegada à hora sai de casa e vislumbrei na casa da dona Salustina uma luz tênue que adensava-se na madeira do pinheiro. Pela janela avistei dona Salustina com um gato alvacento e um cachorro velho. O cachorro estava tisnado pelo velho fogão a lenha, parecia ser ela o patriarca da casa, trabalhava, trazia o leite, fazia o fogo e acalentava dona Salustina nos dias de frio. Reti-me naquele imagem familiar e vi o quê a vida não proporcionava-me. Na porta bati e com dona Salustina passei à madrugada escutando anedotas do seu passado majestoso.
quinta-feira, maio 24, 2007
O mundo tornou-se pequeno.
Em uma maneira extraordinário estava enleado em novos horizontes, de cá e de lá não achava ninguém. Antes na soledade encerrar-se-ia, agora achou um ensejo para melancolia; estafado de estar nesse vai e vem e de tudo que tenta o embalde é ovacionado. Por que ficar no chão? Poderia voar e no ar encontrar uma nova orbe, em uma diminuta plaga instalar-se-ia, seu coração já não aguentava angústias.
O menino que no cárcere sorria; solto fazia trejeitos que mostravam agonia. Vai voltar para o que era antes, não mudará, caipora e mofino sua vida sempre será vazia.
quarta-feira, maio 23, 2007
A escada de Zizi era extremamente alta. Sempre que subia Zizi com sua saia rodada de chita, ficava Pelotino olhando àquelas grandes pernas de índia chita. Zizi viera do Uruguai a pouco tempo para trabalhar em uma costuraria; cosia todo tipo de renda, até fizera seus vestidos de chita. Em um dia ensolarado, Zizi desceu as escadas como nunca tinha descido, era o pelotão da delegacia, na noite anterior havia cometido um crime contra Judite, Zizi trabalhava para Judite. Em sua casa encontraram uma tesoura e alguns vestidos de chita.
terça-feira, maio 22, 2007
Iminente o dilúculo suas mãos já fraquejavam; cogitava em parar e retificar tudo que fez na terra. Amanheceria e o dia de novo nada teria, ordinário. Pessoas caminhavam sobre calçadas espessas, paralelepípedos gigantes. Na labuta esqueceriam que viviam e no cúpido intricariam-se. O dia acabaria na penumbra fria e o ocaso anunciaria o crepúsculo: cessar-se-ia.
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