domingo, maio 17, 2009
Eu e minha meia de lã galgamos novas metas, edificamos um novo pretexto. Viemos até à margem com medo de pular; contudo, ela me olha com seus olhos compassivos e me transmite uma agonia besta. Necessito pular, se não o medo vai me atormentar pela noite e novamente não dormirei. Tomou meu corpo, agora está inscrutada na minha pele; outrora a ouvia tenuamente, hoje recrudesce e não consigo desviar meus pensamentos para outra direção. Prendeu-me, seus grilhões macios me deixam sem jeito, faço tudo e quando ela erra, dissimulo que não percebi - minha meia é extremamente vexada e não gosta de censuras durante as suas ações ordinárias. Sempre saímos a passeio, admiro os seus contornos em meus pés, às vezes faço uma analogia muito extensa para me divertir do enfado, comparo-la a uma bela mulher: cabelos de havana; corpo simétrico; olhos ladinos; sobrolho altaneiro; um sorriso lânguido de dentes castos. Nesses passeios tento disfarçar meu ciúme, parece que minha meia já passou por muitos pés, seu passado para mim é repugnante, mesmo devotada, sinto que ela não gostaria da companhia dos meus pés torvos, minhas histórias são triviais, enquanto as dela é de uma magnitude soberba, de um mundo construído com diligência de um pintor das belas artes. Minha meia não me ama, engana-me e deixo-me prostrado nessa agonia besta de pular e me afogar inteiramente em sua lã voluptuosa.
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Um comentário:
Sugeri algo pro teu escrito...
Está no teu email, confere lá!
Um beijo.
Não, dois.
(;
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