Necessitava de um engano, e assim, medrou do seu corpo delgado e desengoçado mil aventuras a serem vividas. Ria em excesso, ria de tudo. Besta, deixou-se levar pelas pilhérias alheias e hoje encontra-se no asilo funesto. Estúrdio, deveria ter notado os olhos que desgringolavam compaixão, olhos pueris e voz nasalada. Ah, se tivesse uma chance de abraçar os seus olhos e navegar no seu amor. A noite permanece bela e seus olhos mel me pulham. Por que ainda me atormenta? Era necessário um mártire maior e eu, o comteptor que outrora fazia papel do viril predominante, rebaxei-me. Não trocara em palavra, o motivo ínfimo e a culpa permanecem comigo. O silêncio ainda nos faz amantes.
Escolheu uma redoma
Nunca mais sentiria.
E agora, preso e sorrindo,
Mostraria o motivo:
O amor do desprezo.
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Preso numa viga imensa
Gritava, clamava o motivo,
Estava enleado àquilo tudo.
Não decifrava, chorava à esmo.
Porque agora o humilhavam?
Se antes sorria e não sentia,
Antes o mundo era bom
Ninguém lhe mogoava.
O coração deflorado pela menina mordaz,
A vida esvaida em ruas vulgares,
Os bares a despejarem embriagados amáveis
O rumo indefinível do rapaz macilento
É o desejo tépido de um ser nojento,
Insisto e meu instinto esmorece.

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